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Remédios que afetam o desempenho sexual

Data: 02/08/2010

Na medicina quando receitamos um remédio para um paciente é fundamental que ele produza o efeito que desejamos sem modificar o seu bem estar. Em alguns casos certos efeitos colaterais, como a baixa de desejo sexual (libido), podem dificultar o seguimento do tratamento. Certos pacientes chegam mesmo a abandonar seus comprimidos, colocando em risco sua própria vida. Não devemos por impulso interromper o que foi inicialmente receitado sem antes consultar o médico responsável. Cerca de 25% dos casos de impotência sexual são devido aos efeitos colaterais de determinados remédios. Da mesma forma muitas doenças podem afetar a vida sexual, tornando-se difícil estabelecer se a causa é devido ao uso destes medicamentos ou mesmo da própria doença do paciente.


OS ANTI-HIPERTENSIVOS (REMÉDIOS USADOS PARA CONTROLAR A PRESSÃO ALTA)


A família dos beta-bloqueadores como o Propanolol (inderal®, propanolol®), Atenolol (atenol®, angipress®), Carvedilol (cardilol®), Metoprolol (lopressor®), Bisoprolol (concor®), tornam a freqüência cardíaca mais lenta e ajudam o coração a funcionar melhor. Além de poder levar a disfunção erétil este grupo de remédios pode também prejudicar as 3 fases do ato sexual (desejo, excitação e orgasmo). O Propanolol tem uma ação negativa maior sobre a função sexual que o restante da família. A Clonidina (atensina®) e o alfa-metildopa (aldomet®) também têm causado perda do desejo sexual, disfunção erétil e dificuldade para conseguir o orgasmo. Os bloqueadores dos canais de cálcio como a Nifedipina (adalat®,oxcord®) e o verapamil (dilacoron®) tem poucos efeitos sobre a função sexual se comparados aos beta-bloqueadores e diuréticos. O tratamento da hipertensão arterial com medicamentos do tipo Inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina) como Captopril (capoten®), Enalapril (renitec®, vasopri®l), Cilazapril (vascase®) tem baixa associação de disfunções sexuais. Um interessante estudo recente demonstrou que o Losartana (cozaar®, aradois®) pode melhorar a função sexual.


DIURÉTICOS


Eliminam o excesso de sal e água do organismo. Usados como monoterapia, mas mais frequente juntos com outras medicações anti-hipertensivas. Podem prejudicar a ereção reduzindo a quantidade de sangue que circula para o pênis. Pacientes usando diuréticos tem uma chance de 2 a 6 vezes maior de ter uma disfunção sexual que uma outra pessoa qualquer. Impotência sexual ocorre em até 32% dos pacientes em uso de diuréticos do tipo Tiazídicos como a Hidroclorotiazida (clorana®, drenol®, moduretic®) e especialmente a Clortalidona (higroton®, tenoretic®, ablok plus®). Um provável mecanismo seria a redução dos níveis de zinco o que interfere com a produção de testosterona (principal hormônio masculino) contribuindo também para diminuição do desejo sexual. Existem poucos efeitos colaterais sexuais relatados com a Furosemida (lasix®).


MEDICAÇÕES PARA A DEPRESSÃO E TRANQUILIZANTES


Episódios de depressão são freqüentemente acompanhados de uma baixa da libido (desejo sexual). Em homens com depressão grave os problemas de ereção estão presentes em 90% dos casos. Além disso, está comprovado que dificuldades de ereção podem favorecer o aparecimento da depressão. Estas duas condições estão, portanto, intimamente ligadas a tal ponto da disfunção erétil hoje ser considerada parte do ciclo vicioso da própria depressão. Certos antidepressivos são responsáveis por problemas sexuais variados como a diminuição do desejo sexual, problemas na ereção e ejaculação. Os mais implicados são os antidepressivos tricíclicos como a Imipramina (tofranil®) e a Amitriptilina (tryptanol®). A Clomipramina (anafranil®) reduz a sensibilidade genital causando retardo na ejaculação. Medicações que aumentam a serotonina (serotoninérgicos) como a Fluoxetina (prozac®, daforin®), Sertralina (zoloft®), Paroxetina (pondera®, aropax®), Escitalopram (lexapro®), Citalopram (citta®, procimax®) tem efeitos maiores sobre a ejaculação, causando retardo, sem influência maior sobre a função erétil e libido quando usados por curtos períodos. A Fluvoxamina (luvox®) seria o antidepressivo de escolha quando se deseja evitar o efeito colateral de ejaculações mais demoradas. A Trazodona (donaren®) e Bupropiona (wellbutrin®, zyban®, zetron®) não apresentam influencia negativa sobre a atividade sexual, com alguns relatos na literatura médica de ereções prolongadas (Trazodona) e de melhora do desejo sexual com facilitação em conseguir orgasmos em homens e mulheres (Bupropiona). Os benzodiazepínicos, usados para tratamento da ansiedade (ansiolíticos), como o Diazepam (valium®), Alprazolam (frontal®, apraz®), Lorazepam (lorax®), Clonazepam (rivotril®), são responsáveis por problemas relacionados à perda do desejo sexual.


OUTRAS MEDICAÇÕES

A Cimeditina (tagamet®, ulcedine®), usada no tratamento da úlcera gástrica, dependendo da dosagem, diminui o desejo sexual e causa impotência em 50% dos pacientes devido seu efeito anti-androgênico (diminuição dos hormônios masculinos). O Cetoconazol (nizoral®, cetonax®), usado para tratamento de doenças fungicas, quando em altas doses acarreta baixa de testosteronas interferindo no desejo sexual e causando disfunção erétil.

O uso prolongado de substâncias a base de Efedrina e Pseudoefedrina, usadas geralmente em descongestionantes nasais, podem dificultar as ereções por impedir um relaxamento completo da musculatura peniana. A Finasterida (proscar®, reduscar®, finasten®, propécia®) medicação para o tratamento do crescimento benigno da próstata e para queda de cabelos leva em 6% dos pacientes tratados à redução da libido, piora das ereções penianas em 8% e diminuição da ejaculação em 4%.


COMO AGIR

Tratar uma disfunção sexual devido aos efeitos colaterais de medicações pode ser uma tarefa difícil. Dependendo da medicação empregada e o tempo de uso, estes problemas podem regredir espontaneamente com o tempo. Em algumas situações poderá ser possível uma mudança para uma medicação que cause menos efeitos negativos sobre a sexualidade, por exemplo, trocar um diurético Tiazídico por um inibidor da ECA na hipertensão arterial. Outras possíveis alternativas incluem a redução da dose ou mesmo usá-la distante da relação sexual. Desta forma o médico deve sempre que possível escolher uma medicação que não tenha um efeito conhecido e marcante sobre a função sexual, o que vai implicar em uma qualidade de vida melhor ao paciente e uma continuação do tratamento proposto.


  • Titular do Diploma Universitário de especialização em Urologia pela Universidade Pierre e Marie Curie (Paris VI) e em Andrologia pela Universidade de Paris-Sud (Paris XI) - França

  • Assistente Estrangeiro da Clínica Urológica do Hospital Cochin de Paris – França

  • Mestre pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM)

Autor: Dr. Marcio de Carvalho- CRM-PR: 12020

Sociedade Brasileira de Urologia . Secção PR
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